Websérie capixaba mistura humor com traumas da pandemia

Xexa & Loloca em: O Pã da Pandemia, da Árvore Casa das Artes, aprofunda discussões sobre pandemia do novo Coronavírus (Covid-19).

É possível rir diante de uma pandemia tão grave como a do novo Coronavírus (Covid-19)? Esse é o maior desafio do coletivo cultural Árvore Casa das Artes, com a websérie “Xexa & Loloca em: O Pã da Pandemia”. Utilizando da linguagem da palhaçaria clássica, Vanessa Darmani e Wyller Villaças, o casal criador do coletivo, externou angústias, tristezas e, claro, momentos engraçados, sob a pele dos personagens Xexa & Loloca, na websérie que estreiou no último domingo (17). O próximo episódio será exibido nesta terça-feira (19), às 19 horas. Esse e os demais episódios serão transmitidos no canal da Árvore Casa das Artes no YouTube.

Da descoberta da pandemia, por meio das notícias, à luta para ir comprar papel higiênico no auge das restrições, a websérie aborda também as consequências do isolamento, a luta pelas vacinas, isto é, fundamentalmente o amor, a empatia e a solidariedade nestes momentos difíceis. Mas sempre em tom de comédia.

“O momento de pandemia nos paralisou por um período. O vírus nos impediu a convivência social. Nossa produção artística, vida, tudo ficou suspenso. Nosso meio de sustento e geração de renda ficou inviabilizado diante desse problema de saúde mundial. Foi duro. Medo de não saber o que esperar, medo da morte, medo de perder parentes. Uma explosão de sentimentos, não bons, e que só pioraram com a atual conjuntura política que estamos vivenciando”, explicou Vanessa Darmani.

O coletivo foi bastante ativo na campanha pela aprovação da Lei Emergencial Aldir Blanc, que permitiu que milhares de artistas do País pudessem inscrever os projetos no momento de paralisação total de atividades em 2020. “Nesse contexto, veio a luta pela aprovação da Lei Aldir Blanc e sua aprovação depois de muito esforço conjunto e uma mobilização nacional de artistas trabalhadores da arte. Da Lei Aldir Blanc, surgiram os editais, entre eles o de Cultura Digital, da Secretaria da Cultura do Estado”, destacou Villaças, cujo projeto foi aprovado na categoria “Cultura Digital”.

O segmento audiovisual, aliás, foi a saída para a cultura em geral, gerando um boom de transmissões ao vivo, as ‘lives”, e fazendo com que os grupos de teatro, em particular, buscassem se reinventar com a ferramenta do vídeo, num momento de total paralisação de atividades presenciais. “A pandemia e o isolamento social não nos deram outra opção que não a de se lançar no audiovisual, por uma necessidade e urgência. Foi por essa via que conseguimos manter minimamente a nossa renda, participando de festivais do Espírito Santo e de outros estados brasileiros. Mesmo sem o domínio e sem as ferramentas necessárias para a produção em audiovisual, nós nos lançamos com celular, nossa única ferramenta disponível”, contou Vanessa Darmani.

“Foi aí que quebramos uma resistência quanto a fazer um trabalho que é presencial e que depende do público ao vivo, para se permitir experimentar em uma outra linguagem que é a do vídeo. Dentro desse contexto, descobrimos o edital de Cultura Digital (Lei Aldir Blanc) e resolvemos apostar nessa linguagem”, acrescentou a artista.

“Vanessa teve a ideia de uma história que retratava a pandemia, a partir da ótica dos palhaços. Começou a estudar como produzir roteiro, e outros elementos necessários para a elaboração de um projeto de audiovisual. Assim surgiu a proposta do projeto da websérie de palhaços, que, para nossa surpresa e alegria, foi aprovada e agora vai se tornar nossa primeira produção de audiovisual”, completou Villaças.

 Auxílio de um profissional de psicologia no roteiro

“Mas como fazer rir diante da pior pandemia da história? Que desafio este tema nos traz. Quando buscamos uma assessoria com um profissional da psicologia,   o Rogério Camargo, estávamos muito preocupados em não realizar um trabalho que ofendesse a dignidade dos mais de 600 mil brasileiros que perderam suas vidas na pandemia, nem o sofrimento de suas famílias. Mas nós também, dentro de nossa humanidade, estávamos passando pelas mesmas emoções que a maioria das pessoas do mundo inteiro passaram e que muitos ainda estão passando. Nós ficamos em pânico!”, detalhou Vanessa Darmani, que incorpora a personagem Xexa.

“Foi na primeira conversa com o psicólogo que este nos contou sobre o mito do Deus Pã, que carregava em si todas as doenças e feiuras do mundo, e mesmo assim conseguiu fazer uma flauta e tocar mundo a fora, acho que queremos um pouco isto, apesar de carregar todas as dores, tocar a flauta com esta Websérie”, disse ela.

“Tal pesquisa resultou até no psicólogo Rogério Camargo entrando na websérie, literalmente. Por isto que fizemos essa brincadeira usando o título do nosso trabalho. O Rogério (psicólogo) nos acompanhou em todo o trabalho, dando assessoria e até se tornou ator da websérie, fazendo um personagem dele mesmo, o psicólogo. Ele continua com a gente, porque afinal quem não está precisando de terapia nestes tempos”, comentou Vanessa Darmani.

Novas temporadas?

A linguagem abordada pela websérie permite que qualque tema do momento seja encenado. “Podemos, portanto, contar com novas temporadas de “Xexa & Loloca?.Temos muito desejo de continuar desenvolvendo outras temporadas, discutindo outras questões, a partir de outros episódios. Com o edital, compramos alguns equipamentos que darão um certo apoio para o trabalho. Além da websérie temos uma outra ação chamada “jornalhaço”, que já está no ar e também foi criada na pandemia. Acreditamos que assuntos não irão faltar”, disse Villaças.

Serviço:

Onde Árvore Casa das Artes no YouTube


Quando
:

Episódio 2 – 19 de outubro (terça-feira) – Horário: 19h

Episódio 3 – 21 de outubro (quinta-feira) – Horário: 19h

Episódio 4 – 26 de outubro (terça-feira) – Horário: 19h

Episódio 5 – 28 de outubro (quinta-feira) – Horário: 19h

Árvore Casa das Artes

 A Árvore Casa das Artes é um espaço de pesquisa, formação e criação em artes cênicas, fundado na cidade de Vitória, no ano de 2016, pelo casal de artistas Wyller Villaças e Vanessa Darmani. É fruto da inquietação e do desejo em realizar um trabalho continuado de pesquisa e criação nos campos da palhaçaria e do teatro de rua, com ênfase no trabalho do ator, apropriando-se da rua, do cômico e do riso como ferramenta de ação na sociedade. Ao longo dos seus cinco anos, o grupo montou três espetáculos e quatro números de palhaçaria, além de se apresentar em festivais, mostras, praças, ruas, parques, realizando parcerias com mestres e grupos do teatro brasileiro.

Saiba mais sobre o projeto no slinks:

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Mapa Cultural-ES

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