Ativistas contra a ditadura revivem a luta da ‘Geração 68ES’ neste sábado

“Acho importante esse movimento, que traz um simbolismo, principalmente na pessoa de Perly [Cypriano, um dos organizadores], e representa a coragem de resgatar um período tão sombrio da vida brasileira. Somos coadjuvantes na luta, contribuído com nossas memórias no momento em quem atravessamos um descalabro moral e ético na política”, pontua Laura Coutinho.

No Brasil, o estopim foi um confronto entre estudantes de direita e esquerda da Universidade Mackenzie, em São Paulo. O fato ficou conhecido como a “Batalha da Maria Antônia”, referência à rua na Vila Buarque, região central de São Paulo, onde um secundarista morreu e o prédio da Universidade de São Paulo (USP) foi incendiado.

Em 1968, não apenas em São Paulo, mas também em Vitória e outras capitais, estudantes se juntaram a trabalhadores, artistas, intelectuais, donas de casa e outras categorias da sociedade civil e, sem se intimidarem, enfrentaram o regime arbitrário e a fase mais dura da repressão. O movimento de reviver a “Geração 68” chega ao Espírito Santo e a outros estados, e tem o objetivo de promover um despertamento para a situação nacional, com ênfase em movimentos contrários aos bolsonaristas que defendem a ditadura e em defesa ao “fora Bolsonaro”.

Estimulados pelo presidente, grupos aliados ao governo apontam para articulação de um golpe autoritário, como reação ao colapso de sua gestão, agravado com as falhas e omissões no combate à pandemia da Covid-19, nos últimos dias envolvida em fortes indícios de corrupção na compra de vacinas e de outros medicamentos.

O grupo vem se reunindo de forma virtual, para organizar a participação em eventos, a mais importante a manifestação deste sábado. Muitos irão vestindo uma camisa preta com os dizeres “Geração 68” em vermelho, segundo uma das organizadoras, Fernanda Tardin, que atua juntamente com o ex-preso político e ativista Perly Cipriano.

Sessentões que hoje convivem em meio a netos e até bisnetos, como a odontóloga Laura Coutinho, presa e torturada pela ditadura; o médico Vítor Buaiz, ex-governador do Estado; o também médico Iran Caetano; Ítalo Campos, poeta e psicólogo; o cineasta Claudino de Jesus; Angela Mila; Cesar Ronald; Manuel Tavares; os jornalistas Renato Soares, Ronald Mansur e Rubinho Gomes; José Cypriano; Maria Garcia e mais centenas de jovens, na época estudantes com a visão além do seu tempo.

Manifestação

Neste sábado (3), a campanha #ForaBolsonaro realizará a terceira manifestação no Espírito Santo, no mesmo formato das duas anteriores, ocorrida nos dias 29 de maio e 19 de junho, mantendo outra no dia 24 de julho, que será realizada em todo o país.

As denúncias da suposta corrupção vieram à tona na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, em andamento no Senado federal, por meio dos depoimentos do servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda e de seu irmão, o deputado federal Luis Claudio Miranda (DEM-DF). Na última sexta-feira (25), os dois expuseram em detalhes as suspeitas em torno do contrato do governo federal para a compra da vacina Covaxin, a mais cara entre as contratadas pelo Brasil.

Os atos do último dia 19 reuniram cerca de 750 mil pessoas em mais de 400 cidades brasileiras, de acordo com organizadores dos protestos. A quantidade seria 25% maior do que a registrada no dia 29 de maio.

Roberto Junquilho/seculodiario
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