ES tem melhor resultado entre pacientes e vagas em UTIs durante pandemia

Em um ano de pandemia, Brasil abre 1 leito de UTI Covid para cada 10 mil pessoas. Levantamento da startup Bright Cities, feito a pedido da CNN, mostra que leitos tiveram aumento inédito, mesmo com ocupação crescente. O melhor indicador foi registrado no Espírito Santo, com 6.888 capixabas por unidade de terapia intensiva destinada à doença.
Hospitais públicos e privados em todo o Brasil abriram 21.401 leitos de UTI dedicados exclusivamente ao atendimento de pacientes da Covid-19 entre fevereiro de 2020, mês em que foi registrado o primeiro caso da doença no país, e janeiro de 2021.

Isso representa, em média, uma unidade de terapia intensiva para aproximadamente 10 mil brasileiros. No entanto, a exemplo de outros indicadores, essa distribuição reflete as desigualdades econômicas e regionais do país.

Das 27 unidades da federação, sete tem 1 leito de UTI Covid para menos de 9 mil habitantes, levando-se em conta a população estimada pelo IBGE para 2020. O melhor indicador foi registrado no Espírito Santo, com 6.888 capixabas por unidade de terapia intensiva destinada à doença.

Os indicadores de leitos de UTI Covid por habitantes foram calculados a partir de um levantamento de dados feito, a pedido da CNN, pela Bright Cities, startup brasileira que usa tecnologia para elaborar diagnósticos socioeconômicos e construir soluções para tornar as cidades mais inteligentes.

Em números absolutos, o estado de São Paulo tinha a maior oferta de leitos de UTI Covid em janeiro, com 5.049 unidades, seguido por Minas Gerais (2.442), Rio de Janeiro (2.066), Bahia (1.343) e Rio Grande do Sul (1.144).

Outros dois estados, Paraná e Pernambuco, contavam com pelo menos mil leitos de UTI Covid no início de 2021: 1.139 e 1.135, respectivamente. De janeiro até hoje, houve ampliação das redes em diversos estados, em função do aumento da demanda por atendimento intensivo de infectados pelo coronavírus após as festas de fim de ano e carnaval.

Entre as capitais, as maiores ofertas de leitos de UTI Covid refletem o porte econômico e populacional desses municípios, assim como a demanda registrada no primeiro ano de pandemia. São Paulo lidera a lista, com 1.816 unidades registradas em janeiro, seguida por Rio de Janeiro (832), Salvador (802), Recife (615) e Goiânia (422).

Aumento inédito de UTIs

Em um ano de pandemia, a rede de atendimento intensivo foi ampliada em 25.186 unidades registradas no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde do Brasil, um inédito aumento de 61%. Com isso, o país passou a contar com 66.497 leitos de UTI registrados em janeiro de 2021, ante 41.311 em fevereiro de 2020.

Mesmo com esse aumento sem precedentes na estrutura hospitalar, mais da metade dos estados enfrenta alta demanda por UTIs e registra índices de lotação superiores a 80%. Esses números só reforçam a gravidade da pandemia e do momento que o Brasil atravessa.

De todas as novas UTIs abertas no Brasil, 10.081 atendem pelo Sistema Único de Saúde. Ou seja, de cada 10 unidades criadas no ano passado para atendimento intensivo, 6 foram em hospitais privados e 4 em equipamentos públicos.

Em termos proporcionais, o maior incremento foi na região Norte, com aumento de 83%, seguido pelos estados do Nordeste (71%) e Centro-Oeste (63%). Sul e Sudeste elevaram o número de UTIs em 56% cada. Quando se leva em conta apenas a rede SUS, o Nordeste ampliou a oferta em 53%, seguido por Centro-Oeste (47%), Sul e Sudeste (ambos com 46%) e Norte (44%).

“Os dados reforçam a realidade do Brasil em relação a situação desafiadora que chegamos com o avanço da pandemia”, diz Raquel Cardamone, CEO e fundadora da Bright Cities. “Se, por um lado, a região Sudeste concentra grande parte de leitos de UTI, regiões como Norte e Nordeste seguem precisando de um olhar mais atento da gestão pública para atender aos cidadãos.”

O levantamento também revela que pelo menos 221 municípios passaram a contar com pelo menos 1 leito de UTI em seus territórios no último ano. São desde cidades com menos de 4 mil habitantes, como Ivatuba (PR), Braga (RS) e Riacho da Cruz (RN), que registraram pelo menos 1 leito de UTI no cadastro do Ministério da Saúde, até Ribeirão das Neves (MG), Embu das Artes (SP) e Águas Lindas de Goiás (GO), que agora oferecem a seus mais de 200 mil moradores pelo menos uma dezena de unidades de terapia intensiva.

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