Convocados responsáveis pelo setor de convênios comparecem a sessão e explicam mudanças em planilha de construção da rodoviária

Segundo os parlamentares que convocaram os técnicos do setor de engenharia e convênios da Prefeitura Municipal, os valores aumentaram consideravelmente, apesar da estrutura e materiais terem sido modificados tanto na qualidade bem como na medição de quantidade.

Na sessão legislativa desta segunda-feira (06),   atendendo convocação feita pela Câmara Municipal, os servidores da Prefeitura Municipal de Barra de São Francisco, engenheiro Fabrício Vieira Alves e o projetista Kennedy Braz, compareceram à sessão para prestarem esclarecimentos, a respeito das mudanças no projeto de construção da estação rodoviária.

Os vereadores Huander Boff e Admilson Brum, questionaram as mudanças efetuadas na planilha original de custos, principalmente na cobertura da estrutura a ser construída. O projeto inicial foi apresentado na gestão do então prefeito Luciano Pereira em 2015, quando na cobertura seriam gastos cerca de aproximadamente R$ 450.000,00.

Segundo o engenheiro responsável pelo setor de convênios do município Fabrício Vieira Alves, o novo projeto visualiza um novo tipo de construção e arquitetura, onde a cobertura estilo “espacial”, não seria mais utilizada. Isso viabilizaria a possibilidade de convenio com o Governo do Estado.

Fabrício inclusive recomendou que as alterações sejam  avaliadas e referenciadas por algum órgão de excelência em arquitetura e projetos estruturais, já que paira dúvidas quanto as mudanças ocorridas no projeto original.

Huander Boff questionou que na planilha anterior, os gastos para esta cobertura seriam direcionados para aproximadamente 1.446 m2 e a mudança n o projeto destaca 54 mil quilos de ferragens, não especificando mais a metragem e o tipo de material.

O vereador Boff, justificou a convocação dos responsáveis e afirmou que ele e o colega Admilson fizeram o convite para o Secretário de Obras e os técnicos do setor de convênios da Prefeitura, no sentido de que dessem explicações sobre o projeto da rodoviária, “uma vez que o projeto que foi contratado no governo anterior, a obra estava estimada em R$ 2.600.000,00 aproximadamente, com um designer de cobertura em formato ondular, que em tese, é muito mais trabalhoso e com isto se torna mais caro a obra. Nesse projeto a planilha desse telhado chegava aproximadamente ao custo de R$ 500.000,00”, destacou.

Segundo Huander Boff, os valores alterados são muito substanciais e a ausência de explicações para a população se torna necessário uma intervenção do Poder Legislativo, já que é um órgão fiscalizador e a obrigação dessa fiscalização é atribuída especialmente ao Vereador.

“Não se entende que o Executivo Municipal, vive se lamentando da ausência de recursos, da falta de dinheiro para atender as demandas do interior ao produtor rural, bem como sempre falta ações para o setor de saúde, onde exames, cirurgias, medicamentos e outros, sempre sofrem as conseqüências das desculpas dadas pelo Prefeito Municipal”, apontou Huander Boff, acrescentando que é inadmissível as alterações no projeto da construção da rodoviária, que aparentemente, deveria custar menos, pelo projeto alterado e o uso de materiais diferenciados, mas que sem explicações aceitáveis, os valores aumentaram consideravelmente.

Disse que não é contra o município ter uma praça repaginada e acessiva e muito menos uma rodoviária digna para a população. “A minha indignação é como esse recursos foram economizados e por que só agora iniciou-se a reforma da praça no valor de quase R$ 1 milhão. Ainda nos causa surpresa é a chamada de preço para construção da rodoviária, algo em torno de R$3.700.000,00 onde o contrato permite-se aditivos de até 30% no decorrer da obra”, desabafou o vereador Boff.

Inconformado com as mudanças no projeto da obra que segundo ele, saltou de R$ 451.770,20 para R$ 1.555.534,94, aumento de mais de um milhão de reais, Huander Boff

O engenheiro convocado, afirmou que as alterações na planilha foram efetuadas por engenheiros  da empresa responsável pela obra e pelo projeto, a GPK. Ele argumentou que não possui contato com a referida empresa, apesar de que no BDI (*veja abaixo), tenha aparecido sua assinatura, alegando ter sido um engano. O mesmo engenheiro teria assinado a planilha questionada.

Já Admilson Brum, questionou os mesmos pontos sobre a cobertura e de que na planilha modificada, não tenha na organização do canteiro de obras, vários aspectos importantes como: sanitários, energia elétrica, água potável e barracão para abrigar almoxarifado e escritórios. Alegam os vereadores que alguns orçamentos apontam para estes itens como tipo de despesas.

Questionamentos

Os parlamentares questionaram a alteração de 1.846,57 m2 para 54.783,85 kilogramas nas estruturas para a cobertura; por que vários tipos de cores de granito, sendo que os preços no mercado são variados e na planilha os valores são os mesmos; por que ninguém assinou a planilha como sendo responsável pela mesma; quem fez alterações de valores e medidas na planilha.

O engenheiro Fabrício Alves sugeriu que um novo encontro seja realizado onde os parlamentares possam ter cópias dos layouts dos projetos de construção e se colocou ao dispor da Câmara Municipal, no sentido de dirimir quaisquer dúvidas que possam surgir.

O que é estrutura espacial

De acordo com a UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS Faculdade de Engenharia Civil Arquitetura e Urbanismo – FEC – UNICAMP, que através do Departamento de Estruturas – DES, destacou a tese “Sistemas estruturais de edificações e exemplos”, as chamadas Treliças Espaciais bem como a definição e funções das treliças espaciais. Trata-se de uma estrutura  reticulada  tridimensional, que consegue  responder muito  bem  a uma ação  localizada e  também  distribuir  de forma  bastante eficaz  os  esforços  entre  os  seus  elementos  (barras  e  nós)  em conseqüência da interconexão entre os mesmos.

Uma treliça espacial é uma estrutura metálica  de  aço  ou  alumínio  que utiliza a forma básica de um triângulo, única forma indeformável, para criar um conjunto   tridimensional   de   alta   eficiência   estrutural.   Suas barras e nós suportam cargas axiais e têm a capacidade de distribuí-las no espaço, criando um  sistema  eficiente  quando  calculado  de  maneira  apropriada.  Esse sistema funciona de modo que quando um membro atinge sua capacidade máxima, os demais suportam cargas  adicionais,  fazendo  com  que o  sistema  funcione  de maneira integrada. As treliças geradas a partir do módulo piramidal podem ter bases retangulares ou quadradas, enquanto as tetraédricas podem ser de base triangular eqüilátera ou isósceles.

As barras constituintes podem ser fabricadas a partir  de  perfis  tubulares  circulares,  retangulares  ou   quadrados,  podendo também  ser  confeccionadas  em  perfis  tipo  “U”  com  abas  à  90o  ou  inclinadas. As primeiras treliças  espaciais  surgidas  no  Brasil,  por  imposição  de  mercado, foram  projetadas  em  alumínio,  porém,  nos  dias  de  hoje  90%  são  produzidas com tubos de seção circular em aço.

As principais vantagens de se usar treliças espaciais são:  – A boa relação entre o peso próprio da estrutura e o vão da treliça; –  Fácil  transporte,  fabricação  e  montagem,  com  elementos  de  peso próprio reduzido; – Facilidade de desmontagem e ampliação para estruturas temporárias; – Grande repetição de elementos e nós para grandes vãos, diminuindo o custo da estrutura em comparação com as demais.

Nos aspectos gerais: Malhas, os elementos que  compõem  uma  treliça  espacial  são  os  responsáveis pelo   seu   comportamento  estrutural.   A  disposição  mais   utilizada   para   os elementos  de  duas  camadas  são  os  arranjos  (das  barras)  quadrado  sobre quadrado   com   defasagem   de   meio   módulo.   Diferentes  arranjos   geram distribuições  diferentes  dos  esforços  nas  barras.  Em geral,  o  arranjo  com menor número de barras e de nós é a solução mais econômica. Figura 30 – Exemplo de treliça quadrado sobre quadrado com defasagem de meio módulo. Apoios As treliças espaciais podem ser apoiadas em pilares de concreto armado ou de aço, diretamente  em  um  nó,  seja  ele  do  banzo superior  ou  inferior.

Quando a estrutura está sujeita a carregamentos muito grandes, é ideal que se utilizem elementos adicionais para minimizar os esforços que convergem para o nó de apoio, como por exemplo: vigas de transição entre dois nós, pirâmides invertidas, dentre outros.

Tipos de apoios:

  1. apoio direto no banzo inferior; b) apoio do tipo pirâmide invertida; c) apoio com viga de transição; d) pirâmide invertida com travejamento interno; e) apoio direto no banzo superior.Relações dimensionais, seções transversais e materialA  altura  recomendada  para  um  treliça  é  de  L/20  a  L/40,  sendo  L  o comprimento do maior vão da treliça analisada. Recomenda-se também manter os ângulos das diagonais entre 40 e 55 graus. As  treliças  espaciais  são  geralmente  construídas  utilizando-se  seções tubulares  circulares,  uma  vez  que  estas  possuem  simetria,  facilidade  no detalhamento  da  ligação  e  possuem  características favoráveis  quanto  à flambagem. Quanto ao material de que são feitas, o mais comum é que sejam de aço, mas é utilizado também, em menor escala, o alumínio. Ligação entre barras: Nós – Um fator importante a ser levado em consideração no estudo das treliças são os  nós  utilizados  na  união  das  barras.  Os mesmos devem  presentar estabilidade sem, contudo, falhar no quesito estético. Ao longo dos anos, vários tipos de nós estão sendo utilizados na fabricação de treliças, mas alguns foram eliminados por apresentarem falhas no comportamento estrutural ou por serem esteticamente desfavoráveis.

Atualmente, os principais tipos de nós utilizados nas treliças são: os nós cruzados, onde os eixos de todas as barras convergem para o centro da esfera de maneira   direta,   o   que   os   tornam   perfeitos   tanto estrutural   quanto esteticamente;  os  nós  “cruzetas”,  que  são  formados por  chapas  metálicas planas  que  são  interligadas  e  montadas  em  planos  diferentes,  pertencentes aos  planos  de  trabalho  referentes  a  cada  barra.  Estes  não  são  tão  favoráveis estruturalmente,  porém  são  mais  econômicos,  de  fácil  fabricação  e  estética razoável.

Para quem não conhece o município, um dos maiores sonhos da comunidade francisquense é a de que a cidade tenha uma estação rodoviária, a exemplo do que outros centros possuem. Atualmente, apenas o terminal rodoviário pertencente a Viação Águia Branca, atende aos inúmeros passageiros que ali buscam embarcar e desembarcar.

A estrutura está obsoleta com o passar dos anos e já não comporta o atendimento crescente com o passar dos anos. A obra foi inaugurada no ano de 1966 e de lá para cá, várias foram as tentativas de construção por parte da municipalidade, mas nenhuma gestão obteve sucesso.

*- O índice BDI na Construção Civil – do Inglês Budget Difference Income ou Benefícios e Despesas Indiretas em Português  – é um elemento orçamentário que ajuda o profissional responsável pelos orçamentos da Construção Civil a compor o preço de venda adequado levando em conta os custos indiretos (os não relacionados a materiais, mão-de-obra, etc).

 

ASCOMCMBSF

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