Dia das Mães atípico que embora isolados o distanciamento não nos separa

Não existe no mundo amor mais forte, verdadeiro e inigualável que o amor que uma Mãe sente por seu filho. Com o tempo, passamos a expressar o nosso amor pelas mães, nas cartinhas feitas na escola, nas flores que as vezes a ofertamos, no abraço apertado, no beijo “babento”, nas palavras doces e nos presentinhos mais simples.
Ah minha Mãe como você envelheceu nos dias que se passaram. Quantas foram as vezes que notei que seus olhos marejados por alguma tristeza, logo se desculpa em ser um cisco no olho. Sei Mãe que muitas vezes você chorava no banheiro, para que quando notássemos seus olhos vermelhos, você dizia que era o sabonete ou shampoo.
Nossa vida nunca foi fácil, mas você sempre dava um jeito das coisas se tornarem normais. Lembro-me quando você criativa, por não ter óleo para fritar ovos, lembrou-se dos torresmos e os apertou para que a gordura brotasse para que a fritura acontecesse. Não foram poucas as vezes que te peguei costurando minhas roupas, lavando e estendendo as mesmas no varal, cantarolando uma canção.
Mãe que heroína você é. Suportou minhas dores na doença, dormiu ao meu lado até que eu sarasse. Chorou quando eu chorei por um amor mal correspondido. Me abraçou quando eu obtive minhas primeiras vitórias. Me incentivou a ser uma pessoa melhor que as outras.
Voce é minha heroína sim. Pois foi com você que aprendi que o mundo dá voltas. Que o seu tempero na cozinha é incomparável. Que seu sorriso é a coisa mais linda que os meus olhos já viram.
Mãe, eu me lembro de quantas vezes te encontrei acordada me esperando retornar dos encontros e baladas. A mulher que sempre me esperava com satisfação. Hoje sei que você também se sacrificou em não comprar aquele vestido, aquele sapato, aquela blusa, só para que eu pudesse estudar ou andar mais alinhado.
Não foram poucas as vezes em que te encontrei debruçada sobre velhas fotografias. Aquilo era seu maior tesouro, valioso, imensurável. Talvez sonhasse com sua juventude, porque nem sempre sua saúde era boa e confortável. Mesmo assim, lá ia você ser a primeira a se levantar, a fazer o café, o almoço, o jantar. Sua dores você escondia tão bem e quando indagávamos sobre se estaria passando mal, logo desconversava e timidamente se transformava, na mulher guerreira que eu admirava.
Voce Mãe, me preparou para o mundo. Me precaveu dos perigos e da falsidade que ele gera. Da importância de economizar para ter no futuro. Para ser educado com as pessoas, ter humildade com os humildes, ter compaixão dos que sofrem. Aprendi amar a natureza com você. Das suas plantinhas, do seu cantinho imaculado e de como minhas peraltices deveriam ter limites.
Mãe eu te amo muito e me perdoe pelas vezes em que te magoei e a fiz sofrer mesmo sem querer. Desculpe pelos meus erros da juventude, por não compreender a severidade dos teus conselhos.
Que este Dia seja teu por completo. De quem a ama tanto, mesmo neste isolamento que impera devido a esta doença. Sinto falta daquele abraço, daquele beijo, daquele carinho!
Carlos Madureira * Para todas as Mães do mundo!

COMPARTILHAR