‘Mando meu filho pra escola com coração na mão’, diz mãe de aluno em Cedrolândia

Famílias cobram: prefeito Barrigueira prometeu novo prédio em outro terreno. Temem desabamento do atual

Fotos do Leitor/SeculoDiario

“Eu mando meu filho pra escola com o coração na mão. Já quis tirar ele daqui, mas na outra escola não tem vaga”. O lamento é de Gleice Alves, mãe de um aluno da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental (EMEIF) Cedrolândia, na comunidade rural homônima de Nova Venécia, noroeste do Estado. “Em outros lugares, as escolas são pontos de apoio quando tem enchente, abrigam as pessoas. Aqui é o contrário. Quando chove, é o primeiro lugar a alagar”, desabafa.

Taysnara Marinho, também mãe de aluno, compartilha da preocupação com a segurança do prédio. No seu caso, há vaga no ensino fundamental na comunidade vizinha de Guararema.

“Bateram outro piso, mas e se a laje cair?”, pergunta, repetindo questionamento já feito ao prefeito Mario Sergio Lubiana – Barrigueira (PSB), por várias famílias, desde a enchente do início do mês, quando rachaduras na laje apareceram, aumentado o receio de que a estrutura possa desabar. “Tem dois laudos da Defesa Civil. Um diz que a escola vai cair, outro diz que não vai. Como é que a gente fica?”, roga.

Há mais dois anos, em março de 2018, a Defesa Civil emitiu o primeiro laudo, condenando o prédio. Assinado pelo então coordenador da Defesa Civil de Nova Venécia Alderiones Leite e pelo engenheiro civil Henrique Damasceno, o laudo diz que a inspeção constatou afundamento no piso em diversas repartições da escola, recalque hidráulico e falha na compactação do solo, trinca e fissura nas paredes e na sapata próximo ao refeitório.

O segundo laudo, sem assinatura de engenheiro civil, chegou ao conhecimento da comunidade em dezembro passado, afirmando que “não ficou constato falhas estruturais no prédio utilizado pelos alunos e servidores”, conforme afirma o agente de Proteção e Defesa Civil Everton Leonardo de Menezes.

Em meio à contradição, as famílias não acreditam em medidas paliativas, como as tomadas pela Prefeitura há quase um ano. “Eles deram uma pintura, rebocaram o muro, bateram ouro piso, mas tem rachaduras em vários lugares, na laje, nas paredes, no pátio. Ventilador também não existe praticamente”, relata Taysnara.

“A situação é de calamidade. O que adianta fazer uma reforma? Tem rachadura, só passou um reboco e tinta em cima. O que a gente quer é a escola em outro lugar. O prefeito falou que encontrou um terreno, mas não fechou a compra”, indigna-se Gleice, citando ainda problemas, como fiação exposta, cadeiras e mesas em encosto e com assentos quebrados, além de rachaduras nas arquibancadas da quadra. Como uma criança pode estudar ali ter uma aprendizagem, sem conforto, sem segurança?”. “Mandei mensagem pro prefeito ontem sobre as cadeiras e ele não respondeu. O prefeito não dá as caras aqui”, reclama.

O “pinicão” ao lado da escola também é outra queixa antiga, tendo gerado denúncias contra a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), responsabilizada também pela má qualidade da água. Nesta quarta-feira (11), Gleice fotografou a água do bebedouro que serve às crianças, que voltou a ficar com cor de barro.

No início do ano letivo de 2019, a escola sofreu um surto de vômito e diarreia, que atingiu pelo menos 28 crianças. Em resposta, a Prefeitura passou a abastecer a unidade com água mineral, medida que foi suspensa após algumas ações de melhorias do tratamento de água, resultado de um treinamento da Cesan aos responsáveis pela Estação de Tratamento da Associação de Moradores. Em agosto, a piora visível da qualidade da água fez retomar o abastecimento por água mineral por outro curto período.

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