Portela fecha 1º dia da Sapucaí com enredo sobre o Rio como paraíso dos tupinambás

 

A Portela, maior campeã do Rio, fechou o primeiro dia de desfiles na Sapucaí com o enredo “Guajupiá, terra sem males!”, trazendo a história dos Tupinambás, primeiros habitantes do estado fluminense. Com uma apresentação impecável, deixou a Sapucaí como uma das favoritas ao título.

A Grande Rio, quinta a pisar na avenida, também fez um desfile para abocanhar o título. A escola de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, homenageou Joãozinho da Gomeia, o mais famoso pai de santo de sua cidade de origem.

Outra escola do Grupo Especial do Rio que fez bonito e tem grandes chances de brigar pelo campeonato é a Viradouro. A escola sacudiu a Sapucaí com o samba-enredo que homenageou as baianas ganhadeiras.

Atual campeã, a Mangueira entrou na avenida para defender o bi, mas empolgou menos do que o esperado. A escola cantou a história de Jesus Cristo bem diferente do que estamos acostumamos ver com um “rosto negro, sangue índio e corpo de mulher”.

A União da Ilha foi a única escola que registrou falhas graves. Um defeito em um dos carros travou a evolução da escola, que cruzou o portão de saída da Sapucaí com 1 minuto além do tempo permitido. A agremiação da Ilha do Governador, bairro da zona norte do Rio, apresentou um samba-enredo sobre o cotidiano das favelas.

A Paraíso do Tuiuti, enalteceu Dom Sebastião. Coube à Estácio, de Rosa Magalhães, abrir os desfiles com o samba-enredo sobre a pedra.

No segundo dia de desfile do Grupo Especial, que começa na noite desta segunda (24), é grande o favoritismo de Mocidade, com Elza Soares; Salgueiro, com a história do palhaço Benjamin de Oliveita, e Beija-Flor, que mostrará os caminhos trilhados pelo homem.

Também se apresentam São Clemente, Vila Isabel e Unidos da Tijuca, que volta a ter um desfile assinado pelo carnavalesco Paulo Barros.

  • São Paulo

    Ufa! Tuiuti fecha desfile no último minuto

    Tuiuti correu para não estourar seu tempo no desfile. A escola passou pelo portão da Sapucaí nos 70 minutos, tempo máximo permitido.2h11

    Rio de Janeiro

    Tuiuti tem São Sebastião sem as flechas

    A última alegoria da Tuiuti, “O Santo Padroeiro e o Povo-Rei Libertador”, traz uma escultura gigante de São Sebastião, sem as flechas, o que simboliza o fim dos martírios.

    Rio de Janeiro

    Lívia Andrade, a rainha de bateria da Tuiuti

    Reuters
    A deslumbrante Lívia Andrade, a rainha de bateria da Tuiuti
    A deslumbrante Lívia Andrade
  • Rio de Janeiro

    Fantasia de Mylla Ribeiro é iluminada

    A musa Mylla Ribeiro desfila à frente do carro do Palácio Marinho de Dom Sebastião, na Paraíso do Tuiuti. Ela samba com fantasia branca e verde com luzes, representando as preciosidades do palácio.

    Michel Alecrim/Folhapress
    A musa Mylla Ribeiro
    A musa Mylla Ribeiro
    Rio de Janeiro

    Tuiuti acelera o passo e prejudica evolução

    Com 58 minutos de desfile, escola acelera o passo para não estourar o tempo regulamentar

    Rio de Janeiro

    Ala da Tuiuti cria efeito de mar na Sapucaí

    Ala Naus em Direção ao Marrocos com muita criatividade. Os integrantes estão unidos por tecido azul que faz efeito do mar.

    Reuters
    Ala Naus da Tuiuti
    Ala Naus da Tuiuti
    Rio de Janeiro

    ‘Mangueira apresentou Jesus universal’, diz Leonardo Boff

    Nas redes sociais, o teólogo Leonardo Boff elogiou o Jesus apresentado no desfile da Mangueira: “A Mangueira nos apresentou um Jesus universal. Ele não pertence só às igrejas, mas à humanidade. Veio para nos ensinar a viver o amor incondicional.Como ressuscitado é o Cristo cósmico, está em tudo. Como homem tinha também sua porção feminina, representada bem por uma mulher”.

    Rio de Janeiro

    Mangueira empolga menos que o esperado com desfile repleto de críticas políticas

    Última campeã do Carnaval carioca, a Estação Primeira de Mangueira empolgou menos do que o esperado com um enredo repleto de críticas políticas, principalmente à direita, por meio da história de um Jesus de “rosto negro, sangue índio e corpo de mulher”.

    A comissão de frente chegou impactante, com policiais truculentos revistando e agredindo os dançarinos (muitos deles negros) e até o próprio Cristo, que aparece em sua forma mais conhecida, de pele branca e cabelos e barba compridos.

    AFP
    Desfile da Mangueira; veja mais fotos da escola
    Desfile da Mangueira; veja mais fotos da escola

    A ideia era mostrá-lo diante das tensões e situações de vulnerabilidade que sofreria caso tivesse nascido no Brasil atual, segundo a concepção do carnavalesco Leandro Vieira.

    A performance também incluiu um paredão de som, roupas que remetem ao hip-hop e passinhos de funk, combinando com o trecho do samba que diz: “Favela, pega a visão / Não tem futuro sem partilha / Nem messias de arma na mão”, em uma clara referência ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

    Nos carros alegóricos, Jesus também foi representado como índio em seu nascimento, ao lado de anjinhos brancos, e como morador de rua montado numa mula, com cobertas e pés sujos. A essa altura, a plateia já não cantava com o mesmo afinco do começo do desfile.

    A bateria voltou a impactar com um figurino sombrio apelidado de “a brutalidade romana”. A roupa era preta, com armaduras douradas e uma máscara de caveira cobrindo a boca.

    Os tambores traziam a ilustração de um Jesus negro chorando no cenário de uma favela e um helicóptero ao fundo -o frequente uso de aeronaves em operações policiais é bastante criticado em comunidades do Rio.

    Diferentes alas representaram a intolerância. As baianas remetiam a religiões de matrizes africanas, um grupo lembrando Maria Madalena levava uma placa com o arco-íris LGBTQIA+ dizendo “Vai tacar pedra?” e um terceiro mostrava os componentes crucificados em madeiras com o escrito “bandido morto”, em alusão à frase “bandido bom é bandido morto”.

    Uma das últimas alas lembrou ainda a cultura dos bate-bolas, tradição dos subúrbios do Rio muitas vezes marginalizada, em que grupos saem às ruas vestidos de palhaços assustadores e batendo bolas no chão.

    Um dos carros mais fortes foi “O Calvário”, com uma grande cruz pregando pelas mãos um menino negro, de cabelo tingido de loiro e brinco na orelha. Mais atrás, uma mulher, um homem negro, um homem branco vestido de índio e um homem LGBT (com glitter na barba) também aparecem crucificados nos dizeres “só ame”.

    Apesar do discurso, faltaram representantes realmente indígenas.

    A escola deixou a Sapucaí com um carro que representava o próprio morro da Mangueira, de onde Jesus, depois de ressuscitado, ascendeu ao céu preso por balões. Na lateral da alegoria, a velha guarda passou sentada em barzinhos e comércios que remetiam ao morro.

    A Mangueira saiu da avenida sob poucos aplausos, bem mais tímidos do que no ano passado, quando um samba-enredo sobre “a história que a história não conta” pegou na plateia e empolgou com referências a Marielle e outras figuras negras e indígenas. (Júlia Barbon

    Rio de Janeiro

    Artista pinta azulejos portugueses em alegoria da Tuiuti

    Os corpos dos touros de uma das alegorias da Paraíso do Tuiuti representam azulejos portugueses pintados à mão. Foram pintados pelo artista Filé com uma caneta especial.

    ‘Todas as alas estão cantando’, diz Moacyr Luz, um dos compositores do samba da Tuiuti

    O compositor Moacyr Luz, autor do samba-enredo, acredita que o música pode fazer diferença. Segundo ele, há equilíbrio entre as escolas e o samba pode garantir pontos precisos. “Todas as alas estão cantando. Isso levanta o público e facilita a evolução”, disse.

    Folhapress
    Compositor Moacyr Luz
    Compositor Moacyr Luz
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