Petroleiros condenam possível privatização da Petrobras

Em seminário, economista disse ser falacioso argumento de que estatal está quebrada

Iniciativa foi da deputada Iriny Lopes em parceria com Sindipetro
Deputada refutou dados oficiais do desempenho financeiro da empresa e criticou “desnacionalização” / Foto: Lissa De Paula/Por Nicolle Expósito 

Durante seminário realizado na tarde desta quinta-feira (20), no Plenário Dirceu Cardoso, petroleiros e entidades de trabalhadores saíram em defesa da Petrobras e contra a possibilidade de privatização da maior empresa nacional. Com o tema “A privatização da Petrobras e o aumento do preço dos combustíveis: como isso afeta todos os brasileiros”, o encontro foi uma iniciativa da deputada Iriny Lopes (PT) em parceria com o Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES).

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O economista Cláudio Oliveira apresentou balanços auditados e publicados pela Petrobras sobre a liquidez corrente e a geração operacional de caixa da empresa no período de 2010 até 2018. “É uma falácia, uma fake news que a Petrobras tem problemas financeiros”, afirmou.

Ainda segundo o palestrante, a maior geração de caixa da Petrobras foi em 2011, de US$ 33 bilhões, “justamente quando diziam que a empresa estava quebrada”, apontou.

Para Cláudio, a mídia propagou informações inverídicas sobre a situação financeira da petroleira. “Essa é a mãe de todas as mentiras e ficou enraizada no povo brasileiro. A Petrobras não foi defendida e isso virou verdade”.

O palestrante também condenou o Preço de Paridade de Importação (PPI) adotado desde 2016 e revisão dos preços dos combustíveis de acordo com cotações do mercado internacional.

Membro da diretoria da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Priscila Patrício observou que o movimento deste mês é a maior greve já realizada desde 1995. No dia 17 de fevereiro o ministro Ives Gandra, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), decretou a ilegalidade da greve. “Não foi por aumento de salário, para ganho de benefício”, disse.

Também secretária de Comunicação do Sindipetro, Priscila disse que a mídia “invisibilizou o movimento” e destacou a importância da empresa para as políticas sociais do País. “A Petrobras é muito mais que uma simples estatal. É responsável por muitos recursos que vão pra saúde, educação, cultura. Infelizmente a Petrobras está sendo dilapidada”.

Dirigentes de entidades sindicais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT/ES) e a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) manifestaram apoio à greve iniciada pelos petroleiros no dia 1º de fevereiro. “A importância da Petrobras não é só para os petroleiros. Vocês não estão defendendo só os trabalhos e os salários de vocês. Vocês estão defendendo a soberania nacional”, disse Clemilde Cortes, presidente da CUT no estado.

O deputado federal Helder Salomão (PT), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, disse que a privatização da empresa faz parte de um “desmonte do Estado brasileiro”. “O governo quer privatizar todo nosso patrimônio, entregar todas as nossas riquezas. A greve de vocês é muito mais que uma greve, é um movimento de resistência contra um governo que está a serviços de interesses internacionais. Vamos trabalhar de fato para fortalecer esse movimento que vocês iniciaram”, conclamou.

Iriny Lopes (PT) chamou de farsa os números oficiais sobre o desempenho financeiro da petroleira e disse que o objetivo é tentar desqualificar a empresa. Também lembrou que a Petrobras é a maior empresa pública brasileira e uma das 10 maiores do segmento do mundo. “Desde sua criação em 3 de outubro de 1953 vem sendo alvo de ataque e não é à toa que todos os golpes, todas as intercorrências políticas que ocorreram nesse período, nascem com o ataque à Petrobras”.

Desnacionalização

A parlamentar também criticou o anúncio do atual governo sobre a venda da Petrobras até 2022 e defendeu a realização de um plebiscito para saber o que a população pensa sobre a proposta. “Não estamos nos mobilizamos apenas contra a venda da empresa, mas é contra sua desnacionalização. Ela não será comprada por nenhum grupo financeiro brasileiro. Quando a gente perde uma empresa como a Petrobras nós saímos da geopolítica nacional, nós passamos a valer nada”.

Representantes da Petrobras e do governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, foram convidados, mas não enviaram representantes.

Manifesto

O grupo Levante Popular da Juventude fez um manifesto inicial apresentando uma breve cronologia dos momentos importantes da empresa, fundada em 1953, citando as greves já realizadas. A organização de jovens militantes também defendeu a soberania da maior empresa nacional entoando repetidamente as palavras de ordem “Não é dos ricos nem dos banqueiros, a Petrobras é do povo brasileiro”.

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