Trabalhadores dos correios entram em greve por tempo indeterminado

Os trabalhadores dos Correios aprovaram na noite de ontem (10) greve por tempo indeterminado a partir desta quarta-feira.
A ECT se recusou a negociar um novo Acordo Coletivo e a única pauta apresentada foi para retirar direitos. A empresa alega que compareceu a 10 reuniões, mas além de descumprir o calendário e adiar a apresentação do índice econômico, o que aconteceu foi uma manobra para adiar as discussões para depois da data-base da categoria, que é em agosto.
Mesmo com a mediação do TST, a empresa não recebe os representantes dos trabalhadores há mais de 40 dias e se nega a negociar, pois insiste em reduzir benefícios que rebaixariam ainda mais o salário da categoria, que já é o pior entre todas as estatais.

General presidente dos Correios assume autoritarismo de Bolsonaro
A truculência do general Floriano Peixoto, escolhido diretamente pelo presidente Bolsonaro para comandar os Correios no processo de privatização já fartamente defendido por todo o Governo não é por acaso. Tanto a base governista, quanto a direção dos Correios têm interesse em usar a greve para desgastar a imagem dos trabalhadores. Querem, inclusive, censurar os trabalhadores, proibindo de falar sobre a empresa, o que por consequência também impediria de debater publicamente os reais motivos que levaram à construção do atual movimento grevista.
Os trabalhadores dos Correios reivindicam um reajuste de 3,25% referente à inflação do período e são contra a retirada de direitos proposta pela ECT, como o corte de ticket-alimentação nas férias e afastamentos. Todos os 36 sindicatos de trabalhadores dos Correios no Brasil aderiram à paralisação.
Com a ameaça de privatização, este também é o momento de discutir a importância dos Correios para a sociedade, não apenas pelos impactos causados pela paralisação, mas pela necessidade de repensar as relações de trabalho, os problemas reais do povo brasileiro como o desemprego e – principalmente – o projeto de desmonte do Estado que quer destruir o patrimônio público brasileiro.

Novos atos devem intensificar a mobilização dos trabalhadores
A partir da manhã de hoje os trabalhadores realizarão piquetes na porta das unidades. Aconteceu hoje também uma assembleia de avaliação do primeiro dia de greve, onde os trabalhadores aprovaram a manutenção da paralisação. Ainda não há previsão para encerramento da greve.
Na quinta-feira o SINTECT-ES realizará uma passeata também no Centro da capital para continuar a mobilizar os trabalhadores e dialogar com a população sobre a importância dos Correios. A concentração para este ato está marcada para as 10 horas na Casa Porto, no início da Avenida Jerônimo Monteiro.
Em Nova Venécia também haverá um ato unificado de trabalhadores dos Correios de toda a região (Barra de São Francisco, Vila Pavão, Boa Esperança, Pinheiros e Nova Venécia) às 9h30 na praça da cidade, em frente à agência de Correios.
O Espírito Santo tem, atualmente, cerca de 1770 trabalhadores dos Correios. Houve paralisação em toda a Região Metropolitana e em diversas cidades do interior, a expectativa é de que o movimento ganhe mais adesão nos próximos dias e a empresa aceite retomar as negociações.

O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Mauricio Godinho Delgado determinou na quinta-feira (12) que 70% dos empregados dos Correios mantenham as atividades da empresa durante a greve iniciada nesta semana. Pela decisão, o descumprimento do efetivo acarretará na aplicação de multa de R$ 50 mil por dia aos sindicatos da categoria.

A decisão do ministro foi proferida em audiência de conciliação feita nesta tarde entre a empresa e os sindicatos que representam os trabalhadores. Na reunião, o ministro propôs o fim da greve. Em contrapartida, os Correios devem manter os termos do atual acordo coletivo de trabalho e o plano de saúde dos empregados até 2 de outubro, data do julgamento do dissídio coletivo pelo TST. A empresa aceitou a medida e os sindicatos levarão a proposta para votação nas assembleias locais.

De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), os trabalhadores reivindicam reajuste salarial com reposição da inflação (3,25%) e não querem cortes de direitos conquistados.

ECT ingressou com pedido de dissídio, mas o TST tenta novo acordo
Ainda na tarde desta quarta-feira a empresa entrou com pedido de dissídio coletivo junto ao TST. O Tribunal, no entanto, convocou nova audiência de conciliação para amanhã (12) às 13h30.
Caso não tenha nenhum tipo de acordo o dissídio deve ser encaminhado, mas ainda não há data para o julgamento.

Luara Ramos
Assessoria de Comunicação do SINTECT-ES
(27) 98136-3055
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