É seguro consumir bebida energética? Nutricionista responde

Ela pode ser utilizada para melhorar o desempenho esportivo, cognitivo e aumentar a atenção, mas a ingestão exagerada pode, sim, acarretar em problemas de saúde

É seguro consumir bebida energética? Nutricionista respondeÉ seguro consumir bebida energética? Nutricionista responde


Por Cristiane Perroni, Rio de Janeiro

 

O consumo de bebida energética é seguro? A resposta é: depende. Do objetivo, do público, da dose e do momento a ser ingerida. Elas são utilizadas para incrementar a resistência física, proporcionar reações mais rápidas, aumentar o estado de alerta mental, o foco, evitar o sono, proporcionar sensação de bem estar, e ajudar a eliminar substâncias nocivas ao corpo.

Porém, deve-se ter cuidado com o consumo excessivo. É preciso ter moderação no uso. Uma lata de 250ml possui cerca de 88mg de cafeína, equivalente a quantidade de um café expresso de 60ml. E estudos com cafeína e melhora do desempenho esportivo e percepção ao esforço já são bem documentados.

O energético não deve ser consumido por crianças, grávidas, hipertensos, cardiopatas, pessoas com gastrite e indivíduos sensíveis à cafeína. Para essas pessoas, pode causar arritmia, convulsões, elevação da pressão e, em uso excessivo, exarcerbar outros sintomas e levar ao mal súbito.

Homem bebendo energético: é preciso moderação no uso (Foto: Getty Images)

Homem bebendo energético: é preciso moderação no uso (Foto: Getty Images)

Não deve ser associada à bebida alcoólica, pode ser um coquetel perigoso, promove falsa sensação de estado de alerta e da manutenção da coordenação motora. O mesmo se aplica a caminhoneiros e motoristas, que utilizam o energético para se manter acordado e em alerta, oferecendo riscos.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), as bebidas energéticas contém cafeína, taurina, inositol e glucoronolactona e ainda podem ser acrescidas de vitaminas e minerais na sua composição natural. Confira os dados:

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Taurina: aminoácido não essencial sintetizado no fígado e no cérebro a partir dos aminoácidos cisteína e metionina. Está presente nos alimentos: leite e derivados, carne bovina, carne de porco, peixes, frango e frutos do mar.

Funções: exerce efeitos neuromoduladores no sistema nervoso central, ação antioxidante, anti-inflamatória, atua na conjugação dos ácidos biliares, detoxificação, e modulação da função contrátil do músculo esquelético.

Cafeína: é uma das substâncias mais consumidas em todo mundo, presente em alimentos como cacau, folhas, ervas, chás, café, guaraná, bebidas (refrigerantes, energéticos…); suplementos esportivos e inúmeros medicamentos (relaxante muscular, analgésicos, antialérgicos). Não possui valor nutricional e é considerada um recurso ergogênico. Pico de ação entre 30 a 60 minutos e duração de três a seis horas.

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Estudos científicos demonstram que o consumo de cafeína melhora o desempenho esportivo em indivíduos treinados.

  • reduz a percepção ao esforço e retarda a fadiga.
  • aumenta o estado de alerta.
  • em atividades de endurance, ultraendurance e esportes intermitentes de longa duração (basquete, vôlei, futebol…) mantém o atleta por mais tempo na prática esportiva.
  • não provoca desidratação.
  • estimula o sistema nervoso central.
  • ação mais eficiente quando ingerida na forma anidra do que em chás e café.

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Recomendação: 3 a 6g\kg de peso. Lembrando que ficamos resistentes ao uso de cafeína, mas não deve ultrapassar a suplementação de 420mg.

Glucoronolactona: tipo de carboidrato biossintetizado a partir da glicose, podendo ser encontrado também no vinho tinto, cereais, maçãs e pera. É essencial para a desintoxicação e metabolismo de ampla variedade de xenobióticos e medicamentos, via conjugação no fígado, que são excretados na urina

Inositol: isômero da glicose encontrado na forma livre, na forma de fosfolipídeo e em formas fosforiladas, conhecido como ácido fítico. É encontrado e amplamente distribuído na dieta humana, tanto em fontes vegetais quanto animais. Encontra-se nas membranas celulares e nas lipoproteínas plasmáticas.

*As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com.

Nutricionista formada pela UFRJ e pós-graduada em obesidade e emagrecimento. Tem especialização em nutrição clínica pela UFF, especialização em nutrição esportiva pela Universidade Estácio de Sá e trabalha com consultoria e assessoria na área de nutrição (Foto: EuAtleta)Nutricionista formada pela UFRJ e pós-graduada em obesidade e emagrecimento. Tem especialização em nutrição clínica pela UFF, especialização em nutrição esportiva pela Universidade Estácio de Sá e trabalha com consultoria e assessoria na área de nutrição (Foto: EuAtleta)

Nutricionista formada pela UFRJ e pós-graduada em obesidade e emagrecimento. Tem especialização em nutrição clínica pela UFF, especialização em nutrição esportiva pela Universidade Estácio de Sá e trabalha com consultoria e assessoria na área de nutrição (Foto: EuAtleta)

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