Cidade de Colatina ainda sofre na busca da água limpa

Sem distribuição do recurso pela Samarco, moradores coletam até em nascente

O Rio Doce ficou cheio de lama de rejeitos nos três municípios em que passa no Espírito Santo: Colatina (foto), Linhares e Baixo Guandu

A lama de rejeitos de minério da Samarco chegou ao Espírito Santo há mais de três meses e, com ela, uma avalanche de problemas ambientais e sociais que continuam até hoje. Em Colatina, onde a captação de água é realizada apenas pelo Rio Doce, os prejuízos foram ainda maiores e os moradores buscam o recurso até em nascentes.

índiceHá um mês a Samarco parou de distribuir água para a população de Colatina. Algumas pessoas ainda têm água mineral em casa, como a dona de casa Elza Ferrari, mas o estoque está acabando. “Não consigo acreditar que a água que sai nas torneiras está boa”, comenta.
Para não gastar dinheiro com água mineral e também para não utilizar a que é captada do Rio Doce, Elza e parte da população colatinense possuem outra alternativa: a captação de água em nascentes.
Sueli Ferreira precisa percorrer cerca de 3 quilômetros para buscar água de nascente no bairro São Braz. “Tenho cinco pessoas dentro de casa e se eu fosse comprar água prejudicaria no orçamento da casa”, afirma.
Segundo o Prefeito de Colatina, Leonardo Deptulski, a água está própria para consumo, mas outras formas de captação serão utilizadas. “Até abril iremos captar água do Rio Santa Maria e Rio Pancas, isso dará mais segurança para população. Em relação às nascentes, é preciso realizar análises, pois algumas ficam próximas às redes de esgoto”, diz.
Prejuízos
Para os pescadores a quaresma é a melhor época para a venda de peixes, mas eles ainda não sabem se vão poder pescar, aguardam a resposta do Ministério Público. “Tirava cerca de R$ 3,5 mil com a pesca, mas não sei como vai ser este ano. Uma outra dúvida é se a população vai querer consumir o peixe”, afirma o pescador Fernando de Souza.
Além de pescadores, agricultores, artesãos, comerciantes e a população foram também prejudicados.
Prejuízos em Linhares e Baixo Guandu
Em outras cidades do Estado atingidas pela lama a situação não é diferente, como Linhares, Baixo Guandu e também Aracruz. Na região da Foz do Rio Doce, entre a Barra do Riacho, em Aracruz, até Degredo/Ipiranguinha, em Linhares, a pesca foi proibida.
Além da pesca, as praias de Regência, Povoação e Comboios, todas em Linhares, continuam preventivamente interditadas. Em Baixo Guandu, pescadores e agricultores contabilizam prejuízos até hoje. “Perdi 10 hectares de plantação de banana. O meu prejuízo foi calculado em algo próximo a R$ 500 mil”, comenta Ernesto Holz Filho.
Prefeituras
Em nota, o prefeito de Linhares, Nozinho Corrêa, informou que tem recebido diretores e gerentes da Samarco para tratar de medidas mitigadoras do impacto da lama de rejeitos no Rio Doce, como a construção de um novo ponto de captação de água para a sede do município, e também realiza ações em parceria com a Samarco como reforço de algumas barragens para proteger lagoas e se comprometeu com custeio de caminhões-pipa
Já o prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros, disse que a lama trouxe prejuízos e pouco foi feito na cidade. ”A Samarco não faz nada. Estão tomando medidas tímidas e se negando a conversar com os atingidos”, afirma.
Outro lado
Samarco: assistência aos ribeirinhos
A Samarco esclarece que até o momento, cerca de 2.700 cartões já foram entregues para a população ribeirinha, pescadores, areeiros, agricultores rurais e outros profissionais cuja subsistência dependia do Rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo. Além de contar com o apoio de instituições para identificação das pessoas atingidas, a empresa realiza monitoramento constante da qualidade da água no litoral capixaba, inclusive na Foz do Rio Doce, onde são colhidas, diariamente, amostras da água e de sedimentos para a análise, a pedido do Ministério Público. Todos os parâmetros estão dentro do limite legal estabelecido no Brasil para os metais pesados. Um estudo sobre a bioacumulação de metais nos peixes ainda está em andamento.
Com informações de AGazeta/ Foto: Vitor Jubini
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